CÂNCER DA SUPRARRENAL – CARCINOMA ADRENAL

Câncer de Adrenal

O câncer de adrenal ocorre quando as células normais da suprarrenal se transformam em células anormais e passam a crescer fora de controle. Trata-se de uma neoplasia bastante rara, que corresponde a cerca de 0,05%-2,0% de todos os cânceres, com uma incidência de 2 casos por milhão de pessoas por ano em adultos. Entretanto, a incidência destes tumores é cerca de 10 vezes maior no Sul e Sudeste do Brasil em relação ao resto do mundo, devido a uma mutação muito prevalente do gene supressor tumoral p53 nessa região, que predispõe à formação e desenvolvimento desse tipo de câncer. Embora o carcinoma adrenal possa se desenvolver em qualquer faixa etária, existem dois picos de maior acometimento: antes dos cinco anos e entre a 4ª e 5ª décadas de vida. De um modo geral, o grau de agressividade e o ritmo de progressão da doença são maiores em adultos comparados a crianças. Há também um maior acometimento de mulheres por esse tipo de tumor, em todas as faixas etárias

SINTOMAS:
A maior parte dos pacientes com carcinoma adrenal procura atendimento médico por conta de sintomas relacionados à produção hormonal excessiva. A glândula doente pode produzir uma série de hormônios, podendo gerar a síndrome de Cushing (excesso de cortisol) e/ou virilização em mulheres (excesso de hormônios masculinos levando a aumento de pêlos, acne, ganho de massa muscular e queda de cabelo). Mais raramente, podem também produzir excesso de aldosterona (levando a aumento de pressão arterial importante com ou sem potássio baixo no sangue) ou de hormônios femininos (estrógenos, que levam a um quadro de feminilização em homens). Uma parte menor dos casos também podem se apresentar sem nenhuma síndrome de secreção hormonal excessiva, sendo o quadro clínico preponderante relacionado ao crescimento tumoral acelerado: dor abdominal, perda de peso e de apetite. Atualmente, devido ao uso disseminado de métodos de imagem de abdome, tem se descoberto ao acaso muitos casos ainda assintomáticos de tumores menores, antes ainda de gerarem sintomas, o que tem permitido maior chance de cura.

DIAGNÓSTICO
A avaliação diagnóstica deve ser feita por um endocrinologista experiente no tema, utilizando métodos de imagem avançados (tomografia computadorizada e/ou ressonância magnética) e dosagem no sangue, urina e saliva de uma série de hormônios produzidos pelas suprarrenais. Os achados laboratoriais e de imagem são suficientes para a definição da conduta terapêutica inicial. A biópsia das suprarrenais não é indicada na rotina diagnóstica e pode inclusive trazer complicações, como disseminação do tumor pelo trajeto da agulha.

TRATAMENTO:
O método primário de tratamento na maior parte dos casos é a cirurgia, tanto por videolaparoscopia (em tumores pequenos) como pela via aberta (em tumores maiores e mais invasivos). A experiência do cirurgião em operar esse tipo de tumor é fundamental para determinar uma maior chance de sucesso nesse passo do tratamento. Muitos casos precisam de um tratamento adjuvante com uma droga tóxica chamada mitotano (que mata as células do câncer) e alguns outros ainda podem necessitar de complementação com quimioterapia convencional. A radioterapia é indicada em alguns poucos casos selecionados.

Dados de estudos do passado sugerem um prognóstico ruim até mesmo para pacientes com tumores em fase mais precoce. Entretanto, alguns estudos mais recentes sugerem que os pacientes têm apresentado sobrevida mais longa. Os motivos exatos para isso ainda são incertos, mas acredita-se que o diagnóstico mais precoce e o mitotano tenham um papel importante nesse sentido. Os progressos no tratamento dessa doença rara ainda são modestos, porém um esforço conjunto de especialistas tem gerado importantes estudos de colaboração internacional que, em um futuro breve, anseia-se que traga importantes avanços no entendimento, assim como de novos tratamentos eficazes para esta doença rara e agressiva.

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