Diabetes e o consumo de açúcar

1- Por que um diabético não deve comer açúcar? Todos os tipos de açúcar devem estar fora da dieta dos diabéticos?

A sacarose, também conhecida como açúcar comum de mesa, é um tipo de carboidrato simples formado por uma molécula de glicose e outra de frutose. Em humanos, o açúcar comum é rapidamente quebrado por enzimas no intestino delgado e a glicose e frutose são rapidamente absorvidas na corrente sanguínea. O açúcar comum, portanto, fornece uma fonte rápida de energia, provocando um aumento da glicose no sangue breve após sua ingestão. 

Os carboidratos estão presentes em uma ampla variedade de alimentos saudáveis e não saudáveis, tais como pães, feijão, leite, pipoca, biscoitos, massas, refrigerantes, milho, etc. Alimentos ricos em carboidratos constituem parte importante de uma dieta saudável. Os carboidratos fornecem glicose ao organismo, que é convertida em energia utilizada para as funções habituais do corpo e de atividade física. 

Entretanto, a qualidade do carboidrato ingerida é muito importante: alguns tipos de comidas ricas em carboidratos são melhores que outras. Por exemplo, grãos integrais não processados ou minimamente processados, vegetais, frutas e feijão são importantes promotores de saúde ao fornecerem vitaminas, minerais, fibras e uma série de fitonutrientes importantes. Fontes não saudáveis de carboidratos incluem pão branco, bolos, refrigerantes e outros alimentos altamente processados ou refinados. Pacientes diabéticos tipo 2 devem limitar a ingestão de carboidrato diária para evitar elevações importantes da glicemia após as refeições. De um modo geral, sugere-se um consumo de carboidratos de boa qualidade, de 30 a 45g em cada refeição e de 15 a 20g em lanches, atingindo um consumo total diário de cerca de 130g. Pacientes em dieta restritiva com objetivo de perda de peso podem necessitar de menores quantidades, de acordo com orientação médica ou nutricional.

2- O que acontece quando um diabético consome açúcar em excesso? Como é a reação do corpo em suas diferentes partes e órgãos?

Como diabéticos possuem deficiência total ou parcial de insulina, que é o hormônio que controla os níveis de glicose no sangue, a ingestão do açúcar comum (sacarose) faz com que os níveis de glicose subam rapidamente e de forma descontrolada, resultando na chamada hiperglicemia. De forma aguda, a hiperglicemia pode gerar complicações como desidratação, alteração visual e, em casos mais graves, até mesmo coma. Em longo prazo, a hiperglicemia mantida pode levar a várias complicações crônicas em diversos órgãos, podendo levar a cegueira, parada de funcionamento dos rins e lesão nos nervos (levando a dor crônica e alteração de sensibilidade), além de aumentar consideravelmente o risco de a pessoa desenvolver infarto do miocárdio, derrame cerebral e outras complicações cardiovasculares.

3- E para que o corpo volte à normalidade, o que é preciso fazer?

O controle da hiperglicemia deve ser feito por um profissional médico, de preferência um endocrinologista que conte com o apoio de uma equipe multidisciplinar com nutricionista, educador físico e psicólogo. A conduta é extremamente variável caso a caso, mas linhas gerais de boas práticas incluem: manutenção de peso corporal adequado, prática rotineira de atividade física e alimentação balanceada orientada por nutricionista. Alguns pacientes necessitam de medicações por via oral para controle da glicemia; muitos outros, principalmente os com maior tempo de doença e a quase totalidade dos diabéticos tipo 1, necessitam de suplementação de insulina.

4- Os adoçantes são alternativas ao açúcar. Quais as diferenças entre eles?

Eles são classificados em dois tipos: adoçantes naturais e adoçantes artificiais ou sintéticos. Os adoçantes naturais são edulcorantes obtidos a partir de plantas ou alimentos de origem animal e não passam por nenhum tipo de reação química. Eles podem conter calorias, mas sua capacidade de adoçar é muito superior a do açúcar comum, por isso são ingeridos em menores quantidades. Entre eles, podemos citar a frutose, o sorbitol, o manitol, a lactose, a tagatose, a stévia e o agave azul. 

Os adoçantes artificiais são produzidos a partir de reações químicas desenvolvidas em laboratório. Alguns estudos indicam que o consumo desses adoçantes pode favorecer o desenvolvimento da diabetes tipo 2 e a síndrome metabólica. Entre os adoçantes artificiais estão o ciclamato, sacarina, acessulfame K, sucralose e o aspartame. Os adoçantes artificiais variam em relação ao sabor, poder adoçante em relação ao açúcar comum e estabilidade em altas temperaturas. O aspartame, por exemplo, é instável em temperaturas acima de 100ºC. Um dado recente de extrema relevância obtido de uma pesquisa realizada na Unicamp alerta para o risco do adoçante sucralose quando submetido a elevadas temperaturas. Os autores demonstraram a formação de compostos tóxicos semelhantes àqueles encontrados em produtos defumados ou no churrasco (quando realizado sob curta distância entre a brasa/fonte de calor e a carne). Recomenda-se, portanto, evitar o consumo de sucralose em bebidas ou alimentos quentes até que novos dados estejam disponíveis.

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