DIABETES E GESTAÇÃO

Quais são os riscos de engravidar com sobrepeso?

Há uma série de riscos para a gestação de mulheres que engravidam com sobrepeso/obesidade, incluindo: maior chance de perda fetal precoce, anomalias congênitas, natimorto, hipertensão associada à gestação, parto prematuro e pós-termo (maior que o tempo normal), diabetes gestacional, gestação múltipla e nascimento de bebê grande para a idade gestacional. A macrossomia (bebê > 4 kg) aumenta o risco no bebê de lesão no ombro e de plexo braquial, bem como resulta em maior indicação de parto cesariano. Mulheres obesas submetidas a parto cesariano possuem risco aumentado de infecção de ferida operatória e tromboembolismo.

Mulheres obesas grávidas também tem maior chance de apresentar apneia obstrutiva do sono, síndrome do túnel do carpo e depressão pós-parto.

Idealmente, mulheres obesas devem discutir vários aspectos de saúde com seus médicos antes de planejarem engravidar, incluindo os efeitos adversos do excesso de gordura na fertilidade, informação acerca dos riscos envolvidos, rastreamento de condições médicas associadas (ex: diabetes, hipertensão), bem como aconselhamento sobre os benefícios da perda de peso antes do planejamento da gravidez. Algumas mulheres obesas podem se beneficiar da indicação de cirurgia bariátrica.

Em caso de gestação em mulher obesa, uma série de rotinas diferentes devem ser adotadas no acompanhamento pré-natal, que incluem: rastreamento de diabetes no início da gestação, atenção para limitar ganho de peso (pacientes com sobrepeso não devem ganhar mais que 7 a 11 kg, e obesas, máximo de 5 a 9 kg), realizar exame periódico de ultrassonografia, além de indicar a ecocardiografia fetal nos casos de ultrassonografia sugestiva de alteração cardíaca.

O que é diabetes gestacional e como se prevenir?

Diabetes gestacional é um tipo de diabetes que afeta algumas mulheres durante a gestação. O diabetes gestacional, assim como o diabetes “convencional”, é um distúrbio que atrapalha a maneira como o corpo utiliza o açúcar (glicose). Todas as células do nosso corpo necessitam de glicose para funcionar normalmente. A glicose adentra as células por meio de um hormônio chamado insulina. Se não há insulina suficiente, ou se o corpo para de responder adequadamente a esse hormônio, a glicose passa a acumular no sangue.

Todas as mulheres gestantes devem ser testadas para a presença de diabetes gestacional. A maioria das mulheres deve ser testada entre o 6º e 7º mês de gestação (24ª a 28ª semana), mas mulheres com maior risco para diabetes devem ser avaliadas mais precocemente na gravidez. O teste mais comumente utilizado para o diagnóstico do diabetes gestacional é o teste oral de tolerância à glicose, em que a gestante ingere um líquido doce rico em açúcar e coleta-se sangue 1 e 2 horas depois para análise da glicemia. Esse teste permite estimar como o corpo processa o açúcar e quão alta pode chegar a glicose após essa ingestão rica em carboidratos.

O que o diabetes gestacional causa na mulher e no bebê?

O diabetes gestacional pode resultar em um bebê maior do que o normal (> 4 kg). Isto é um problema porque um bebê grande pode se machucar por não conseguir encaixar adequadamente no canal do parto, além, também, de poder gerar trauma à mãe durante o nascimento. Não é infrequente a necessidade de parto cesariano nessa situação. O diabetes gestacional também aumento o risco de a mãe desenvolver uma condição chamada pré-eclâmpsia, em que ocorre elevação da pressão arterial, perda de proteína na urina e inchaço.

O aleitamento materno previne o sobrepeso na infância?

O aleitamento materno é de fundamental importância para o bebê devido a uma série de benefícios diretos para a nutrição, função gastrointestinal, defesa contra infecções e bem estar psicológico. A composição única do leite materno, que contém fatores anti-inflamatórios e anti-infecciosos, além do contato direto pele a pele que é promovido pelo ato de amamentar, protege contra exposições ambientais e promove o desenvolvimento do sistema imunológico inato da criança.

O benefício mais bem estabelecido do aleitamento materno é a prevenção de doenças durante o período da amamentação. O leite materno, comparado às formulações lácteas, também parece promover proteção contra doenças infecciosas agudas como otite média e pneumonia nos primeiros anos de vida, mesmo após a descontinuação da amamentação.

O aleitamento materno tem sido associado também com uma série de benefícios a longo prazo na redução de risco de diversas doenças, em especial na prevenção de diabetes tipo 1, doença inflamatória intestinal e broncoespasmo, mas parece haver também evidências menos robustas quanto à prevenção de outras doenças como leucemia, asma, eczema, alergias alimentares e obesidade.

Quais as mulheres com maior risco de desenvolver diabetes gestacional?

Algumas mulheres possuem maior risco de desenvolver a condição na gestação, dentre elas: mulheres que já tiveram em gestação anterior, mulheres acima do peso, com histórico de diabetes na família, mais velhas que 25 anos e mulheres de descendência hispânica, negras e asiáticas. Alguns hábitos podem reduzir esse risco, incluindo a adoção de uma dieta saudável, perder peso nas que estiverem com sobrepeso, prática regular de atividade física e evitar o tabagismo.

Como o diabetes gestacional é tratado?

Para tratar o diabetes gestacional, é necessária uma checagem frequente dos níveis de glicose no sangue, por meio de um aparelho simples chamado glicosímetro. A maioria das mulheres consegue um controle adequado da glicemia por meio de modificações na dieta. Algumas mulheres podem precisar utilizar insulina e/ou outros medicamentos para controle.

Como devo modificar minha dieta para tratar o diabetes gestacional?

O primeiro tratamento para o diabetes gestacional é comer de forma adequada. Para tal, recomenda-se acompanhamento com nutricionista especializada. Em linhas gerais, seguem algumas recomendações relevantes antes de receber um plano dietético individualizado:

  • Comer 3 refeições leves de volume pequeno e fazer 3 lanches saudáveis entre elas
  • Comer a cada 2 a 3 horas para distribuir uniformemente os alimentos durante o dia
  • Não pular refeições ou lanches. Uma pequena ceia antes de dormir é importante para manter a glicemia em jejum normal ao acordar no dia seguinte.
  • Evitar sobremesas e bebidas adoçadas artificialmente com açúcar. Isso inclui doces, chocolates, bolos, biscoitos, sorvetes, rosquinhas, geleias, xaropes e molhos doces. Deve-se evitar também adicionar açúcar à sua comida ou bebida e não tomar refrigerante, chá doce e outras bebidas frutadas.
  • Pode ser utilizado adoçantes artificiais como aspartame, sucralose, stevia e acessulfame de potássio com moderação.
  • Inclua proteínas com limitação de gordura saturada, incluindo carne vermelha magra, carne de porco, frango e peixe. Outros alimentos proteicos, como queijo, ovos, nozes e sementes também são bons para a gestante e o bebê.
  • Consuma porções moderadas de alimentos contendo carboidratos (amidos e açúcares naturais)
    • Alimentos rico em amido (ex: pães, arroz, macarrão, batata, milho, cereais) – preferir grãos integrais em vez de refinados.
    • Frutas e suco de frutas – limitar o consumo a pedaços pequenos de fruta e evitar suco da fruta. Muitos sugerem evitar consumo de fruta no café da manhã pelo maior receio de elevação da glicemia no período da manhã.
    • Leite e iogurte – preferir produtos desnatados, light ou estilo “Grego”.
  • Muitos vegetais são pobres em açúcar e carboidratos. Inclua bastante salada, verduras (espinafre, couve, brócolis, feijão verde, tomate, cebolas, cogumelos) e outros vegetais de que você goste). Metade do prato em suas refeições pode ser de vegetais sem amido.
  • Utilize gorduras saudáveis, como azeite de oliva e óleo de canola.

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